Frio intenso afeta as plantações no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Banana ensacada, café enterrado... a luta dos agricultores para proteger as plantações do frio intenso
O frio intenso previsto para esta quarta-feira (28) e que deve durar até domingo (1°) desafia agricultores no Sul, no Sudeste e até no Centro-Oeste do país a tomar medidas para reduzir um novo prejuízo. Geadas que aconteceram em semanas anteriores resultaram em perdas milionárias com lavouras inteiras "queimadas" pelo gelo, folhas congeladas - que, depois, ficam imprestáveis para consumo - e até o comprometimento de plantas jovens. Algodão, milho, cana-de-açúcar, café, hortaliças diversas - principalmente as folhosas, foram vistas nos últimos dias como se tivessem sido esturricadas pelo sol ou com manchas escurecidas. Ao menos duas cidades, Patrocínio (MG) e Santo Antônio da Alegria (SP) declararam calamidade pública por conta dos efeitos do frio nas lavouras. Para evitar mais problemas, na véspera da nova frente fria produtores de café do Paraná decidiram enterrar os pés mais novos. A colheita de hortaliças foi antecipada, para serem conservadas em câmara fria. E as plantas mais novas foram cobertas com lona, para evitar que fiquem molhadas e, assim, congelem mais rápido.
Em Minas Gerais, um agricultor de Itajubá conseguiu ser o único a não perder as bananas com a geada na semana passada porque ensacou os cachos. "Isso protege a banana de várias formas (...) A planta acaba sendo afetada pela queimada das flores, mas a produção não é prejudicada", disse o secretário de Agricultura da cidade, Bruno Almeida. Por que a geada prejudica a planta? Existem 2 tipos de geadas, explica o coordenador de produção agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Maciel Silva.
O frio que atingiu a região do Sul de Minas na semana passada prejudicou 70% das propriedades que produzem a fruta em Itajubá. "Agora todos os sistemas voltaram para quase negativo, vai ter que cortar todas essas bananas, voltar elas pro chão, para que elas possam soltar broto novo e voltar a produzir em pelo menos 14 meses", explicou. Hortaliças mais caras Com as geadas que aconteceram até agora, é possível observar um aumento dos preços das hortaliças. É o caso da alface, que já está 10% mais cara do que na semana anterior ao fenômeno, relata Silva. Para outros produtos, o prejuízo pode chegar ao consumidor mais para frente, como o café, que já tem 70% da safra atual colhida, portanto, os frutos perdidos serão sentidos apenas no ano que vem.
Silva conta que, devido à bienalidade do grão, 2021 é um ano de déficit de produção e a recuperação era esperada para 2022. Com as perdas, pode ser que essa expectativa não seja atendida. Mas, segundo o coordenador, apenas em maio do ano que vem isso se tornará uma certeza.
Em Minas Gerais, um agricultor de Itajubá conseguiu ser o único a não perder as bananas com a geada na semana passada porque ensacou os cachos. "Isso protege a banana de várias formas (...) A planta acaba sendo afetada pela queimada das flores, mas a produção não é prejudicada", disse o secretário de Agricultura da cidade, Bruno Almeida. Por que a geada prejudica a planta? Existem 2 tipos de geadas, explica o coordenador de produção agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Maciel Silva.
- Geada branca: camada de gelo formada a partir da intensa redução de temperatura, quando a umidade do ar está elevada.
- Geada negra: leva este nome por deixar uma camada escura, devido à queima da planta. Ocorre quando a umidade do ar está muito baixa.
O frio que atingiu a região do Sul de Minas na semana passada prejudicou 70% das propriedades que produzem a fruta em Itajubá. "Agora todos os sistemas voltaram para quase negativo, vai ter que cortar todas essas bananas, voltar elas pro chão, para que elas possam soltar broto novo e voltar a produzir em pelo menos 14 meses", explicou. Hortaliças mais caras Com as geadas que aconteceram até agora, é possível observar um aumento dos preços das hortaliças. É o caso da alface, que já está 10% mais cara do que na semana anterior ao fenômeno, relata Silva. Para outros produtos, o prejuízo pode chegar ao consumidor mais para frente, como o café, que já tem 70% da safra atual colhida, portanto, os frutos perdidos serão sentidos apenas no ano que vem.
Silva conta que, devido à bienalidade do grão, 2021 é um ano de déficit de produção e a recuperação era esperada para 2022. Com as perdas, pode ser que essa expectativa não seja atendida. Mas, segundo o coordenador, apenas em maio do ano que vem isso se tornará uma certeza.