Expectativa do paciente oncológico para o cenário pós-Covid-19
Segundo a Sociedade Brasileira de Patologia, cerca de 50 mil brasileiros, ao menos, deixaram de ser diagnosticados com câncer desde o início da pandemia. Um dado da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica informa que 70% das cirurgias de câncer foram adiadas em abril de 2020, além disso, segundo o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – Icesp, no período 30% menos pacientes iniciaram tratamento. Comportamento O cotidiano destas pacientes não foi alterado, mas a modificação aconteceu no principal cenário: rotina médica, uma exigência para os casos de câncer, para que se possa desacelerar, tratar e minimizar os sintomas e avanços da doença. Além disso, o receio sobre o pós-pandemia e a retomada da rotina de tratamentos é o que deixa as pacientes mais receosas. 43,5% das respondentes declararam que não saíram de casa durante a pandemia e ficaram em total isolamento social. Elas informaram ter utilizado a internet e as facilidades da tecnologia para fazer compras, evitando contato com possíveis infectados. “Este estudo mostra apenas um recorte sobre a situação das pacientes com câncer e deixa a reflexão sobre o setor de saúde, levantando algumas questões importantes: Depois da Covid-19 como será o impacto disso quando a área da saúde voltar a fazer estes atendimentos? O setor da saúde está com a estrutura preparada para dar atendimento a esta demanda que irá surgir?”, comenta Deborah Duarte, Presidente e sócia-fundadora do Instituto Quimioterapia e Beleza e responsável por conduzir a pesquisa. “Muitas pacientes relatam ter medo do futuro, de como poderão ter mais qualidade de vida e sobrevida, pois é uma crescente o número de casos diariamente e a estrutura se mostra despreparada para isso”.
Dados da Pesquisa: “Expectativa do paciente oncológico para o cenário pós-Covid-19”
Faixas etárias das entrevistadas 36,5% – 41 a 50 anos 19,8% – 36 a 40 anos 19,3% – 50 a 60 anos 11,6% – 31 a 35 anos 5,9% – 26 a 30 anos 4,6% – 61 a 70 anos
1,3% – 18 a 25 anos
Tipo de tratamento em andamento 77,2% Das respondentes declararam estarem em tratamento para o câncer de mama
As demais declararam câncer de pele, útero, linfoma ou leucemia, ovário, pulmão e intestino.
Tipo de tratamento 32,9% – Curativo > 74,8 câncer de mama 29,4% – Adjuvante > 89,2% câncer de mama 18,7% – Para doença metastática > 52,9% câncer de mama 14,1% – Neoadjuvante > 96,6% câncer de mama 4,9% – Paliativo exclusivo
> 57,5% câncer de mama
Impacto da pandemia no tratamento 54,6% – Não houve alteração 15,7% – Consultas remanejadas 11,2% – Consultas remanejadas, exames prorrogados 6,0% – Exames prorrogados 2,6% – Cirurgias canceladas ou adiadas 1,6% – Consultas remanejadas, cirurgias canceladas ou adiadas
1,3% – Interrupção no tratamento (quimioterapia, radioterapia, outros)
Local de tratamento: Hospital particular, público ou convênio médico 53,4% – Hospital particular com convênio médico 44,3% – Hospital público > 80,7% – Câncer de Mama 2,3% – Hospital particular
> 74,4% – Câncer de Mama
Comportamento durante a pandemia 43,5% – Não saíram de casa durante a pandemia – ficaram em total isolamento social e utilizaram-se de ferramentas on-line para fazer compras, evitando contato com possíveis contaminados. 39,5% – Saíram unicamente para irem ao supermercado, realizar compras de alimentos e à farmácia para compra de medicamentos. 9% Saíram para trabalhar
8% Para se exercitar
Segurança para manter atendimentos durante a pandemia
Embora 17,7% tenha declarado não considerar seguro manter o tratamento durante a pandemia e preferir aguardar, a maioria delas declara que reconhece o risco de alteração do estágio da doença.
Capacidade do Sistema de Saúde no momento pós pandemia 77,2% declararam não acreditar que o sistema de saúde terá capacidade para atender o número represado de pacientes após a pandemia.