Na manhã de quarta-feira (2), a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal deflagraram a operação “Água Suja”, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa envolvida em mineração clandestina de minério de ferro e crimes financeiros em Minas Gerais. Entre os alvos está uma empresa sediada em Sete Lagoas, acusada de participar do esquema.
Segundo a PF, o grupo atuava sem autorizações ambientais ou fiscais em regiões como o Quadrilátero Ferrífero, especialmente nos municípios de Itabirito e Nova Lima, além do balneário de Água Limpa. A extração ilegal ocorria em uma cava de aproximadamente 40 metros de profundidade e 5.000 m² de área, configurando danos ambientais significativos.
Foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão em 10 cidades mineiras. Em Sete Lagoas, as investigações se concentraram em empresas de beneficiamento de minério, incluindo galpões conhecidos como “peneiras”, usados para processar o material extraído.
A operação revelou um esquema complexo: empresas de fachada, emissão de notas fiscais falsas e movimentações financeiras suspeitas, com indícios de lavagem de dinheiro e associação criminosa. O grupo ainda mantinha “olheiros” e pessoas armadas para proteger as áreas de mineração, aumentando os riscos durante as abordagens.
De acordo com a Receita Federal, os investigados responderão por crimes como usurpação de bens da União, fraudes tributárias, danos ambientais e lavagem de dinheiro. A ausência de licenças para mineração agrava as acusações, com multas que podem ultrapassar R$ 10 milhões.
O nome “Água Suja” faz referência a uma das empresas de fachada localizada no balneário homônimo. As investigações, que já duram dois anos, continuam em andamento, com possibilidade de novas prisões e bloqueios de bens.
A PF destacou que a ação visa coibir danos ambientais irreversíveis e recuperar recursos públicos desviados. Minas Gerais, estado com tradição mineradora, enfrenta desafios crescentes com a exploração ilegal, que ameaça ecossistemas e a economia legalizada do setor.