Babá é agredida com tapas e chutes e denuncia injúria racial na porta de prédio no Santo Agostinho, em BH

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Na noite desta quinta-feira (20), feriado do Dia da Consciência Negra, uma babá de 36 anos foi agredida física e verbalmente na portaria de um edifício de alto padrão no bairro Santo Agostinho, região Centro-Sul da capital mineira. O autor das agressões é um advogado de 52 anos, pai das duas crianças que ela cuida há cerca de quatro anos. Todo o episódio foi registrado pelas câmeras de segurança do condomínio.

De acordo com a advogada da vítima, Natália Sales Gomes, o casal de empregadores se divorciou há aproximadamente um ano e, desde então, a relação entre os ex-companheiros tem sido marcada por instabilidade. A ex-esposa do suspeito chegou a obter medida protetiva de urgência contra ele por agressões verbais e ameaças, mas pediu a revogação recentemente, pensando no bem-estar dos filhos. Com a guarda compartilhada, a babá acabou ficando “no meio do fogo cruzado”, segundo Natália.

Na noite do crime, o advogado foi ao prédio para devolver as crianças após o período de convivência. Ao perceber que a ex-mulher estava arrumada, concluiu que ela estaria em um novo relacionamento. Ele então retornou ao local, estacionou o carro na porta e ligou para a babá exigindo que ela descesse imediatamente. “Ele disse que queria saber com quem a ex estava, falou que estava com a polícia e com pessoas perigosas”, relatou a advogada.

A trabalhadora desceu nervosa com o tom intimidatório usado pelo advogado. Ao vê-lo filmando com o celular, pediu que parasse. Quando tentou afastar o aparelho, recebeu tapas no rosto e chutes. “O vídeo é muito pesado. Ele bate como se estivesse brigando com um homem. Ela ficou com a língua cortada”, afirmou Natália Sales Gomes.

Durante as agressões, o suspeito ainda proferiu ofensas raciais. “Ele usou palavras muito chulas, chamou de ‘preta’ e ‘macaca’”, completou a advogada.

Em nota, a Polícia Civil informou que “apura a ocorrência de vias de fato” e que “não houve conduzidos à delegacia” no momento do registro. O caso segue sob investigação. Até o momento, o advogado suspeito não se manifestou publicamente sobre as acusações.

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