Morre aos 85 anos Lindomar Castilho, o “Rei do Bolero”

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Lindomar Castilho, um dos nomes mais populares da música brega romântica e do bolero no Brasil, morreu no dia 20 de dezembro, aos 85 anos. A informação foi divulgada por sua filha, Lili De Grammont, por meio das redes sociais. De acordo com a família, o cantor enfrentava um quadro infeccioso nos pulmões.

Natural de Goiânia (GO), Lindomar construiu uma trajetória marcada por canções de forte apelo emocional, letras intensas sobre amor, ciúme e separação, além de interpretações dramáticas que conquistaram um público amplo em todo o país. Seu sucesso se consolidou principalmente entre as décadas de 1960 e 1970, período em que se tornou presença constante em rádios, bailes e programas de auditório.

Ícone da música popular romântica

Com um estilo melodramático e acessível, Lindomar Castilho se firmou como um dos principais representantes do chamado “brega romântico”. Suas músicas atravessaram gerações, sendo incluídas em coletâneas, regravadas por outros artistas e resgatadas em trilhas sonoras e playlists dedicadas à música romântica brasileira.

Mesmo com as mudanças no cenário musical ao longo dos anos, o cantor manteve seu nome vivo no imaginário popular, especialmente entre fãs do bolero adaptado ao gosto brasileiro.

O título de “Rei do Bolero”

O apelido de “Rei do Bolero” surgiu no auge de sua carreira, sobretudo nos anos 1970, quando Lindomar dominava as paradas populares e os palcos pelo país. Seu repertório ajudou a difundir o bolero em português, com letras passionais e interpretações carregadas de emoção.

Entre as canções mais lembradas de sua trajetória estão “Você É Doida Demais” e “Entre Tapas e Beijos”, além de diversas regravações que continuam presentes em shows de revival e seleções de música romântica.

Crime marcou sua trajetória

Em 1981, a carreira e a imagem pública de Lindomar Castilho sofreram uma ruptura definitiva. O cantor assassinou a tiros sua ex-esposa, a também cantora Eliane de Grammont, durante uma apresentação dela em um café, em São Paulo. O crime teve grande repercussão nacional e entrou para a história do noticiário policial brasileiro.

O julgamento, realizado em 1984, foi amplamente acompanhado pela imprensa e se tornou referência em debates sobre violência contra a mulher e a responsabilidade de figuras públicas, em uma época em que o tema ainda recebia pouca atenção social.

Após cumprir pena, Lindomar tentou retomar a carreira artística, mas nunca conseguiu se desvincular do episódio, que marcou de forma permanente sua trajetória pessoal e profissional.

Com sua morte, Lindomar Castilho deixa um legado musical popular e controverso, que mistura sucesso, influência cultural e um passado trágico que segue sendo lembrado nos debates sobre arte, sociedade e violência.

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