Os protestos registrados em diversas cidades do Irã desde o final de dezembro de 2025 já deixaram quase 540 mortos, segundo levantamento de organizações internacionais de direitos humanos. As manifestações, inicialmente motivadas pela crise econômica no país, evoluíram para atos de contestação direta ao governo e vêm sendo reprimidas pelas forças de segurança.
Dados da Human Rights Activists News Agency (HRANA) indicam que ao menos 538 pessoas morreram durante os confrontos, incluindo manifestantes e integrantes das forças de segurança. O número pode ser maior, já que o governo iraniano impôs restrições ao acesso à internet e limitou a atuação da imprensa, o que dificulta a verificação independente das informações.
Além das mortes, milhares de pessoas foram presas desde o início das mobilizações. Estimativas apontam que mais de 10 mil detenções ocorreram em diferentes regiões do país. Relatos divulgados por entidades de direitos humanos mencionam o uso de força letal, prisões arbitrárias e repressão a protestos pacíficos.
As manifestações tiveram início em meio ao agravamento da crise econômica, marcada pela alta inflação, desvalorização da moeda local e aumento no custo de produtos básicos. Com o avanço dos atos, as reivindicações passaram a incluir críticas ao regime e pedidos por mudanças políticas. Cidades como Teerã, Mashhad e Isfahan concentram parte dos confrontos mais intensos.
Em resposta, o governo iraniano reforçou a presença policial nas ruas, bloqueou redes sociais e restringiu o acesso à internet. Autoridades afirmam que os protestos são influenciados por interesses externos e classificam os manifestantes como responsáveis por atos de desordem. Já organizações internacionais acusam o regime de violar direitos fundamentais e reprimir a liberdade de expressão.
A situação tem gerado preocupação internacional. Países ocidentais e entidades de direitos humanos cobram investigações independentes e pedem o fim da violência contra civis. Aliados do Irã, por outro lado, defendem que a crise seja tratada internamente, sem interferência externa. Analistas avaliam que este é um dos períodos de maior instabilidade política no país nos últimos anos, sem perspectiva imediata de redução dos conflitos.
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