Estudo aponta que obesidade eleva em até 70% o risco de internação ou morte por infecções

Pesquisa com mais de 540 mil pessoas indica que excesso de peso está associado a complicações graves por gripe, pneumonia e infecções urinárias

Por JOãO PEDRO
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Estudo aponta que obesidade eleva em até 70% o risco de internação ou morte por infecções
Divulgação

A obesidade pode aumentar em até 70% o risco de hospitalização ou morte por doenças infecciosas comuns, como gripe, pneumonia, Covid-19 ou infecções urinárias e gastrointestinais. O dado é de um estudo internacional que acompanhou mais de 540 mil adultos por cerca de 14 anos e identificou o quanto o impacto do excesso de peso vai além das doenças crônicas tradicionalmente associadas à condição.

De acordo com a pesquisa, pessoas com índice de massa corporal igual ou superior a 30 kg/m², um dos possíveis critérios para obesidade, apresentaram risco 70% maior de desenvolver infecções graves em comparação com indivíduos com peso considerado saudável. Entre aqueles com obesidade grau 3, definida por IMC acima de 40 kg/m², o risco foi três vezes maior.O levantamento utilizou dados populacionais da Finlândia e do Reino Unido e também cruzou informações com o estudo Global Burden of Disease, estimando que 0,6 milhão das 5,4 milhões de mortes por doenças infecciosas registradas mundialmente em 2023 - o equivalente a 11% - estiveram associadas à obesidade. O estudo foi publicado em fevereiro, na revista científica The Lancet e embora não seja uma revisão de vários estudos anteriores, trata-se de uma das maiores pesquisas já realizadas sobre o tema, com acompanhamento de longo prazo e validação em diferentes populações.

Para Andressa Cabral, professora de Nutrição da Afya Unigranrio Duque de Caxias e Nova Iguaçu, o resultado reforça que a obesidade deve ser compreendida como uma condição que afeta múltiplos sistemas do organismo. "O excesso de tecido adiposo mantém o corpo em um estado inflamatório constante. Essa inflamação crônica pode prejudicar a resposta do sistema imunológico, dificultando o combate a vírus e bactérias, aumentando a chance de complicações", explica.

Segundo a nutricionista, ainda há uma percepção limitada sobre os impactos do excesso de peso. "Muitas pessoas associam à obesidade apenas ao risco de diabetes ou problemas cardiovasculares, mas os estudos mostram que a vulnerabilidade a infecções graves também deve entrar nessa lista de preocupações", acrescenta.

Os resultados mostraram ainda que o risco aumenta progressivamente conforme o peso corporal se eleva. Participantes que reduziram o peso e saíram da faixa de obesidade apresentaram 20% menos episódios de infecções graves em relação aos que permaneceram com obesidade. Já o ganho de peso, da faixa de sobrepeso para obesidade, esteve associado ao aumento de 30% no risco de complicações infecciosas.

Para o médico nutrólogo e professor da pós-graduação Afya Educação Médica do Rio de Janeiro, Bruno Debeux, os dados reforçam a importância da prevenção e do acompanhamento clínico contínuo. "O controle do peso corporal, aliado à alimentação equilibrada, à farmacoterapia quando indicada, à prática regular de atividade física e à atualização do calendário vacinal, são estratégias fundamentais para reduzir o risco de desfechos graves em infecções consideradas comuns", afirma.

Ele destaca que, embora o estudo seja observacional e não estabeleça relação direta de causa e efeito, os achados ampliam a compreensão da obesidade como uma doença crônica com impacto sistêmico. "Tratar a obesidade é também uma forma de fortalecer a saúde imunológica e diminuir internações evitáveis", conclui.


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JOãO PEDRO URBANO DOS SANTOS
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