Da tela ao cuidado: como a terapia online transformou o acesso à saúde mental

Para a psicóloga Karine Brock, o que cura não é o espaço físico, mas o vínculo, a técnica e o compromisso com a mudança

Por AMANDA SILVEIRA
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Sentar no próprio quarto, no silêncio da casa, abrir o computador e iniciar uma conversa que pode mudar o rumo da própria história. A terapia online, que ganhou força durante a pandemia, deixou de ser alternativa emergencial e passou a ser caminho real de transformação emocional. Para a psicóloga cognitivo-comportamental, Karine Brock, a eficácia do atendimento remoto está diretamente ligada à estrutura da Terapia Cognitivo-Comportamental. “A mudança não depende do espaço físico. Depende da qualidade da intervenção, do vínculo terapêutico e do engajamento do paciente”, afirma ela.
Para quem enfrenta ansiedade, depressão ou sobrecarga emocional, pequenos obstáculos podem se tornar grandes barreiras. O trânsito, o deslocamento, o medo de sair de casa. No ambiente online, essas dificuldades diminuem. A profissional explica que a previsibilidade e a praticidade reduzem barreiras. Quanto menor o empecilho, maior a chance de manter a regularidade e na TCC consistência é essencial para a mudança emocional.
Pacientes com transtorno do pânico, ansiedade social ou rotina intensa encontram na modalidade virtual um espaço mais acessível e, muitas vezes, mais seguro para iniciar o processo terapêutico.
Karine explica que, ao contrário do que muitos imaginam, a terapia online não é improvisada. Cada sessão possui: metas definidas, estrutura organizada, revisão de tarefas, feedback contínuo e técnicas aplicáveis no dia a dia. “O paciente precisa estar presente de verdade naquele momento. Um ambiente privado, conexão estável e disponibilidade emocional fazem toda a diferença”, destaca.
Ainda existe a crença de que o atendimento online é superficial ou não cria vínculo, mas a psicóloga afirma que o cuidado continua sendo profundamente humano e que o formato é apenas o meio. Segundo ela, a pandemia ajudou a romper resistências e ampliar o acesso, inclusive para pessoas que vivem no exterior ou possuem mobilidade reduzida.
Karine Brock destaca que, no entanto, a avaliação deve ser individualizada. Casos de risco iminente ou determinadas demandas infantis podem exigir acompanhamento presencial. “No atendimento infantil, por exemplo, o brincar é essencial. A criança comunica muito mais pelo comportamento do que pelas palavras, e isso exige observação próxima”.
Ao ampliar possibilidades, a terapia online democratiza o acesso à saúde mental. E, para quem decide iniciar, a especialista reforça: “O que transforma não é a tela. É o compromisso com o processo”.  

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