Belo Horizonte, 30 de setembro de 2025 – Profissionais de saúde realizaram um protesto em Belo Horizonte após uma enfermeira ser atacada com uma agulha contaminada por HIV em um hospital da capital mineira. O caso ocorreu durante a coleta de sangue de um bebê de três meses, que testou positivo para o vírus. Segundo o boletim de ocorrência, a agressora, uma mulher de 25 anos e mãe da criança, também soropositiva, retirou o material utilizado no procedimento e perfurou a mão da profissional.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que a suspeita teve a prisão em flagrante ratificada pelo crime previsto no artigo 131 do Código Penal, que caracteriza a prática de ato capaz de transmitir moléstia grave com o intuito de contaminar outra pessoa.
Neusa Freitas, técnica de enfermagem e diretora executiva do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde), destacou que o incidente é mais um episódio de uma preocupante onda de violência nas unidades de saúde de Belo Horizonte. “Ela [a vítima] está em uso da medicação, o chamado coquetel. Está em casa extremamente abalada, sem condições psicológicas de estar aqui. Nossa grande preocupação é que essa violência já virou rotina”, afirmou Neusa.
O caso ganha ainda mais gravidade por ter ocorrido em um hospital referência em doenças infectocontagiosas, o que intensifica o medo entre os profissionais. “A preocupação da trabalhadora é muito maior, porque, mesmo com a medicação, ela não fica tranquila. É um absurdo o que aconteceu”, completou a diretora.
Neusa informou que entidades sindicais, o Conselho de Enfermagem e o Ministério do Trabalho uniram forças em uma campanha para alertar sobre o aumento da violência contra profissionais de saúde. O objetivo é pressionar órgãos públicos por medidas efetivas para coibir as agressões. “Não dá mais para simplesmente deixar por isso mesmo. Esses trabalhadores, vítimas de violência, ficam traumatizados para o resto da vida”, concluiu.
Um estudo conduzido pelo Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais reforça a gravidade da situação. Com base em um questionário online respondido por profissionais de enfermagem, a pesquisa revelou que 95% dos participantes já sofreram algum tipo de violência no ambiente de trabalho. O levantamento apontou que o assédio moral é a forma mais comum (45%), seguido por violência verbal (40%) e violência física (9%).
Em Sete Lagoas, o vereador Alber Enfermeiro usou o plenário da Câmara Municipal para abordar a crescente violência contra profissionais de saúde. Em sua fala, registrada em sua conta no Instagram, ele reforçou a necessidade de ações concretas para proteger esses trabalhadores, que enfrentam diariamente situações de risco em prol da sociedade.
A mobilização dos profissionais de saúde e entidades representativas segue em busca de soluções para garantir um ambiente de trabalho.