Advogada, servidora pública concursada e em seu quarto mandato, Luciana Carvalho era considerada uma das parlamentares mais experientes do Legislativo municipal e a principal voz de oposição à atual administração.
Para que a cassação fosse aprovada, eram necessários seis votos favoráveis, correspondentes a dois terços dos nove vereadores da Casa. Antes do voto do presidente da Câmara, Pedro Henrique dos Reis Moreira, conhecido como Pepeu (Podemos), o placar era de cinco votos pela cassação e dois contrários. Coube ao presidente dar o voto decisivo, alcançando o resultado final de 6 a 2 pela perda do mandato.
O processo foi conduzido por uma Comissão Processante e teve como base duas denúncias.
A primeira apontava que a vereadora não manteria domicílio em Cachoeira da Prata. Segundo o relatório, o endereço informado seria utilizado como escritório de advocacia e residência de sua mãe, sem comprovação de que a parlamentar residisse efetivamente no município.
A segunda denúncia questionava o exercício simultâneo do cargo de assessora jurídica da Câmara Municipal de Fortuna de Minas com o mandato de vereadora. A comissão entendeu que a atividade poderia configurar acúmulo irregular de funções e seria incompatível com o exercício do cargo eletivo.
Após a análise do processo, a Comissão Processante recomendou a cassação, entendimento que foi acompanhado pela maioria dos vereadores.
A defesa de Luciana Carvalho rejeitou as acusações e afirmou que não há provas suficientes para justificar a cassação. Segundo o advogado da parlamentar, ela mantém residência habitual em Cachoeira da Prata e exerceu sua atividade profissional de forma legal, por meio de processo licitatório, sem impedimento para o mandato.
Logo após o encerramento da sessão, a defesa informou que recorrerá ao Poder Judiciário para tentar anular a decisão da Câmara Municipal.
A cassação rapidamente se tornou o principal assunto entre os moradores de Cachoeira da Prata. Nas redes sociais e em grupos de mensagens, diversos cidadãos criticaram a condução do processo e a decisão dos vereadores.
Parlamentares que votaram pela cassação receberam críticas de parte da população, enquanto apoiadores de Luciana Carvalho classificaram a medida como desproporcional e defenderam que o caso seja reavaliado pela Justiça.
Com o recurso anunciado pela defesa, a disputa agora deverá seguir para o Poder Judiciário, que analisará a legalidade do processo político-administrativo e da decisão tomada pelo Legislativo municipal.