Curioso demais? Esses comportamentos podem ser sinais de superdotação

Psicólogo explica que características frequentemente vistas como "defeitos" podem estar relacionadas à superdotação e alerta para a importância de uma avaliação profissional.

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Imagem gerada poe IA

Muitas pessoas passam a vida acreditando que determinados comportamentos representam falhas de personalidade ou dificuldades de adaptação. No entanto, segundo o psicólogo clínico e PhD em Neurociência Bruno Salles, alguns desses traços podem estar associados às chamadas altas habilidades/superdotação, especialmente quando acompanhadas do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Em um conteúdo publicado nas redes sociais, o especialista afirma que a visão tradicional sobre superdotação ainda é limitada e costuma associar o conceito apenas a pessoas com alto QI ou crianças consideradas prodígios. Segundo ele, adultos com altas habilidades frequentemente apresentam características comportamentais que passam despercebidas ou são interpretadas de forma equivocada.

Entre os sinais citados estão a curiosidade intensa, facilidade para aprender novos assuntos rapidamente, tendência a perder o interesse após dominar determinado tema, criatividade elevada, humor sofisticado, forte senso de justiça, dificuldade em se sentir pertencente a grupos sociais, intensidade emocional e maior sensibilidade a estímulos do ambiente.

Outro ponto abordado pelo especialista é a chamada dupla excepcionalidade, condição em que a superdotação ocorre juntamente com o TDAH. De acordo com Bruno Salles, essa combinação pode dificultar o diagnóstico, já que a inteligência acima da média pode mascarar sintomas do transtorno, enquanto o TDAH também pode esconder as altas habilidades.

O psicólogo destaca ainda que pessoas com esse perfil costumam enfrentar desafios relacionados à organização da rotina, administração do tempo e regulação emocional, apesar de apresentarem excelente capacidade intelectual e facilidade para resolver problemas complexos.

Identificação ainda é um desafio

Segundo o especialista, dados do Censo Escolar apontam que menos de 0,1% dos estudantes brasileiros são identificados oficialmente como pessoas com altas habilidades. Entretanto, estimativas frequentemente citadas na literatura científica sugerem que esse percentual pode variar entre 3% e 5% da população, indicando que muitos casos podem permanecer sem identificação.

Avaliação deve ser feita por profissionais

Apesar dos comportamentos apresentados poderem despertar suspeitas, especialistas ressaltam que nenhum desses sinais, isoladamente, é suficiente para confirmar superdotação ou TDAH.

O diagnóstico deve ser realizado por profissionais qualificados, por meio de avaliação clínica e neuropsicológica, considerando o histórico de vida, testes específicos e critérios científicos reconhecidos.

A identificação correta pode contribuir para que a pessoa compreenda melhor seu funcionamento cognitivo e receba orientações adequadas para desenvolver seu potencial e lidar com eventuais dificuldades do dia a dia.