Em um desdobramento significativo do caso que chocou o futebol brasileiro, a torcida organizada Mancha Alviverde, vinculada ao Sociedade Esportiva Palmeiras, reconheceu formalmente sua responsabilidade pela morte do torcedor cruzeirense José Victor dos Santos Miranda, natural de Sete Lagoas (MG). A declaração foi formalizada em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) apresentado junto ao Ministério Público de São Paulo e anexado pela defesa do Palmeiras ao processo no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
O reconhecimento ocorre em meio a uma ação judicial que cobra mais de R$ 22 milhões em indenizações decorrentes da emboscada ocorrida em 27 de outubro de 2024, na rodovia Fernão Dias, em Mairiporã (SP). Na ocasião, dois ônibus que transportavam torcedores da organizada Máfia Azul, torcida do Cruzeiro Esporte Clube, foram interceptados e atacados violentamente por membros da Mancha Alviverde.
No TAC, a Mancha Alviverde admite que os atos violentos foram “planejados, organizados e executados por membros da agremiação”, assumindo responsabilidade civil pelo episódio que resultou na morte do cruzeirense de 30 anos.
Como forma de reparação, a organizada se comprometeu a pagar R$ 2 milhões em indenizações, distribuídos da seguinte maneira:
Além da compensação financeira, a torcida se comprometeu a entregar semestralmente ao Ministério Público e à Federação Paulista de Futebol (FPF) uma lista atualizada de seus associados, incluindo dados pessoais e registros fotográficos, com o objetivo de facilitar a identificação de possíveis infratores em eventos esportivos.
O ataque, considerado premeditado por autoridades, envolveu cerca de 100 membros da Mancha Alviverde, que utilizaram barras de ferro, pedaços de madeira e rojões para atacar os ônibus. Um dos veículos foi incendiado, enquanto o segundo teve seus vidros completamente quebrados. O laudo pericial apontou o uso de meios que dificultaram a defesa das vítimas e caracterizaram a ação como cruel.
Na sequência do episódio, o Ministério Público denunciou 20 integrantes da organizada por homicídio qualificado e outros crimes, e líderes do grupo seguem presos ou respondendo a processos criminais. Uma decisão recente também manteve a prisão preventiva de um dos acusados em relação ao caso.
Para o Palmeiras, que reforça não ter vínculos formais com torcidas organizadas, o documento assinado pela Mancha representa uma tentativa estratégica de se afastar das responsabilidades civis e financeiras implicadas no processo.
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